Raças/ Matrizes

Ao menos quatro das principais raças de gado que se destacam na pecuária de corte fazem parte do criatório da Fazenda Santa Maria, resultados do melhoramento genético e de toda a tecnologia aplicada à bovinocultura. 

Confira as principais informações sobre cada uma destas raças: BRANGUS, ANGUS, NELORE e BRAFORD, todas elas sinônimo de carne de qualidade!


RAÇAS

BRANGUS
 

Resultado do cruzamento das raças Angus e Zebu, a raça Brangus surgiu no início do século XX, portanto, há mais de 100 anos, quando foram realizadas as primeiras experiências desse cruzamento na Lousiana, Estados Unidos, garantindo-se um animal com altos índices de produtividade mesmo criado em condições de clima e meio ambiente adversas, típicas das regiões tropicais e subtropicais. Isso ocorre devido sua adaptabilidade aos diferentes climas, micro ou macro.

No Brasil, os cruzamentos começaram a ser realizados no Rio Grande do Sul na década de 40, por técnicos do Ministério da Agricultura, chegando-se nos anos seguintes ao mesmo cruzamento alcançado nos Estados Unidos. 

Trata-se de uma raça sintética criada a partir de raças zebuínas, como Brahman e Nelore, as duas raças de grande sucesso da pecuária brasileira, com a raça Angus, o que resultou num animal que se destaca em sistemas produtivos mais extensivos ou intensivos nas diversas regiões do Brasil, inclusive no Paraná, produzindo carne de qualidade com muita eficiência.

Entre as principais características zootécnicas da raça está a habilidade materna, sendo que a vaca Brangus, além de criar muito bem seu bezerro, é uma mãe extremamente amorosa e protetora da sua cria. Mesmo mansa e tranquila, não hesita em defender seu bezerro. Outra característica é a sua longevidade, possuindo também alta precocidade sexual. Já aos 14 meses a fêmea começa a ciclar e se colocada ao desafio da concepção, em condições nutricionais adequadas, desmamará um belo bezerro.

O novilho Brangus possui carcaça versátil, com excelente acabamento e marmoreio, podendo-se fazer um bezerro gordo para atender determinados mercados, ou um novilho para mercados que exigem uma carcaça mais pesada.


ANGUS
 

O Aberdeen Angus se destaca entre as raças taurinas por reunir um maior número de características positivas que lhe asseguram um excelente resultado econômico como gado de corte. O conjunto de suas características a tornam uma raça completa. 

O primeiro registro da raça foi na Escócia, no século XIX, após a cruza de uma linhagem de gado mocho do condado escocês de Aberdeen com outra, também sem aspas, do condado de Angus. 

No Brasil, o primeiro reprodutor da raça foi registrado em 1906, importado do Uruguai por um produtor gaúcho, sendo que a partir de 1913 começaram a despontar novos registros de animais e, no ano seguinte, foram importadas cinco matrizes da Inglaterra. 

Se no início o desenvolvimento da criação se deu no Rio Grande do Sul, aos poucos a raça começou a ganhar o Brasil, até se tornar a principal alternativa para cruzamento com raças zebuínas, agregando maior eficiência na pecuária e melhor qualidade à carne brasileira.

Através de sua fertilidade, o gado Angus proporciona um maior rendimento, tanto pelo número de bezerros nascidos, quanto pela quantidade de quilos obtidos por hectare. A longevidade, associada à fertilidade, representa, ao final, mais crias produzidas.

Por outro lado, em comparação com outras raças, o Angus tem demonstrado que nas mesmas condições alimentares atinge mais cedo a puberdade e o estado de abate. A precocidade do Angus reflete-se no abate de novilhos jovens, cuja rusticidade é facilmente identificada pelo grande número de animais (machos e fêmeas) espalhadas pelas várias regiões climaticamente diferentes do Brasil, mantendo suas qualidades inalteradas. 

O Angus mostra maior resistência a enfermidades e grande adaptação às condições ambientais dos territórios onde é criado. Mesmo em situações adversas, as fêmeas produzem bezerros e os amamentam adequadamente, nem que para isso tenha que sacrificar parte de sua “gordura marmorizada”.

Um dos atributos excepcionais da raça Angus, que lhe garante uma posição de liderança, é a qualidade da sua carne, confirmada nos mais diferentes concursos gastronômicos realizados nos principais mercados produtores. 

A raça produz um animal apropriado não apenas ao mercado interno, como também para o mercado externo, apresentando de 3 a 6 mm de gordura e carne marmorizada (gordura entremeada na carne), o que lhe confere a já famosa maciez e sabor. A perfeita e uniforme distribuição da gordura no tecido muscular também lhe confere um aspecto muito mais atraente e sabor singular. A importância dessa distribuição é exaltada quando da sua preparação: a gordura se derrete parcialmente pela ação do calor e impregna a parte magra, melhorando apreciavelmente seu valor, tornando-a tenra e apetecível.


BRAFORD
 


Mais recentemente, na história da pecuária brasileira, na década de 80, os cruzamentos genéticos deram formação a raça Braford, inicialmente conhecida como Pampiano Braford, que após um curto período passou a se chamar apenas Braford, o que facilitou o intercâmbio internacional. 

A Braford congrega a fertilidade, habilidade materna, precocidade, temperamento dócil, volume e qualidade da carne do Hereford, com a capacidade de adaptação aos trópicos, resistência aos ectoparasitas, rusticidade e rendimento de carcaça dos zebuínos, além do benefício indiscutível da heterose, que qualifica ainda mais sua carne.

O macho Braford é extremamente fértil, viril e precoce, adaptando-se muito bem às condições de reprodução a campo. Detentor de excepcional massa muscular, é incomparável na missão de produzir bezerros. 

A fêmea Braford é precoce e fértil. Tem comprovado potencial de entrar em reprodução, totalmente a campo, entre 14 e 18 meses de idade. Com peso médio adulto de 450Kg (15@), tem excelente facilidade de parto e habilidade materna, desmamando aos 6/8 meses bezerros que podem ter mais de 50% do peso materno.

O novilho Braford é muito precoce na terminação, podendo ser abatido, em terminação exclusivamente a campo, aos 18/24 meses de idade e peso entre 380 e 480 Kg, apresentando rendimentos de carcaça entre 52 e 58%. 

Sua carcaça é bem conformada e tem bom perfil muscular, alto rendimento de cortes comestíveis e, o que é mais importante, cobertura de gordura e marmorização, o que garante a boa conservação das características de sabor e suculência quando no resfriamento realizado pelos frigoríficos, garantindo ainda excelente apresentação dos cortes na gôndola.


NELORE
 


Originária da Índia, da raça Ongole, usada pelos indianos apenas como animal de transporte e para produção leiteira, haja vista que a cultura e a religião indiana não permitem o consumo da carne bovina, a raça Nelore se adaptou facilmente ao Brasil, sendo a maioria do seu rebanho.

Além da fácil adaptação ao clima do país, a raça também tem rápido ganho de peso, ingressando no território brasileiro pela Bahia e posteriormente sendo criada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com o cruzamento entre os animais dando origem a nova raça.

Atualmente, o Nelore brasileiro é considerado patrimônio nacional e a sua carne é exportada para mais de 146 países, devido a sua alta qualidade, tendo como principais características a resistência ao calor em razão da sua grande quantidade de glândulas sudoríparas e extensa superfície corporal. 

As características de sua pelagem também contribuem com o processo de troca de calor com o ambiente, além de ter resistência natural a parasitas devido às características de seus pelos, que funcionam como mecanismo de defesa natural, impedindo ou dificultando a penetração de pequenos insetos na sua pele ou de se fixarem em sua superfície. 

Como seu trato digestivo é 10% menor em relação às raças de origem europeia, isso resultou em um metabolismo mais baixo que gera menor quantidade de calor. Machos e fêmeas da raça apresentam alta longevidade reprodutiva.